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16/04/13 - 11h40 -
Comoção e tristeza no enterro de “Carvalho Loko”


Publicado em 16 de abril de 2013 no Jornal Vale do Aço

No final da tarde desta segunda-feira, com grande acompanhamento, foi enterrado o fotógrafo freelancer e colaborador do jornal VALE DO AÇO na área policial, Walgney Assis Carvalho, 43 anos, conhecido também como “Carvalho Loko”. O velório e o sepultamento aconteceram no Cemitério Municipal Senhor do Bonfim, localizado no bairro Giovannini. Carvalho foi executado com dois tiros, por volta das 22h30 de domingo (14), em um pesque-pague no bairro São Vicente onde ia com frequência. Familiares, vizinhos, muitos amigos e colegas, num misto de apreensão e tristeza, estiveram prestando as últimas homenagens na capela-velório do cemitério, onde aconteceu uma missa de corpo presente celebrada pelo padre Macedo. Em seguida acompanharam o cortejo, que aconteceu às 17h.

O jornal VALE DO AÇO já estava de luto há 38 dias pelo bárbaro assassinato de outro funcionário, o repórter policial Rodrigo Neto, executado no bairro Canaã, em Ipatinga, no último dia 8 de março, com o mesmo “modus operandi”.

Até ser morto, Walgney Carvalho estava no pesque-pague no bairro São Vicente, local onde ia com frequência. Ele tinha chegado havia uns 30 minutos, na noite de domingo. Pediu uma porção e sentou-se próximo ao poço de peixes, quando um homem o surpreendeu por trás e atingiu-o a tiros. Ele morreu no local. O assassino teria estacionado uma moto fora do pesque-pague, dado a volta por um terreno baldio a pé. Depois do crime, caminhou cerca de 50 metros a pé até subir novamente no veículo e fugir. Levantamentos preliminares da polícia indicam que o executor esteve no local pelo menos três vezes durante o dia, observando o ambiente e procurando pela vítima.

Além de policiais militares, que registraram a ocorrência, delegados da Polícia Civil também estiveram no local, entre eles o chefe da equipe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Emerson Morais, que cuida das investigações do caso do repórter Rodrigo Neto. No primeiro instante o delegado de Coronel Fabriciano Amaury Albuquerque ficou como responsável por cuidar das investigações do caso da execução de Carvalho.

O perito José Batista Ribeiro, que teve acesso ao laudo do Instituto Médico Legal - IML, esclareceu que Walgney Carvalho levou dois tiros calibre 38, de bala ponta oca semijaquetada, com alto poder de destruição, normalmente usada por quem entende do assunto. Um dos tiros atingiu a cabeça perfurando a parte atrás da orelha direita em direção ao lado esquerdo. Já o segundo tiro teria atingido a axila do lado direito para o esquerdo, chegando a fraturar o osso do braço, chamado de terço superior. Carvalho teve ainda uma lesão na testa devido à queda após receber os tiros.

Parceria com a perícia

José Batista Ribeiro, que é perito há 16 anos, conta que conheceu Carvalho quando ele fazia fotos de eventos, mas várias vezes chegava até ele com informações de crimes que haviam ocorrido. Muitas vezes nem tínhamos conhecimento desses fatos. “Ele nos ligava ou contatava. Quando íamos apurar ficávamos sabendo que 99% desses casos eram verídicos. Isso foi há muitos anos e percebemos que ele tinha um equipamento fotográfico melhor que o nosso e às vezes trazia as fotos sem mesmo que pedíssemos. Assim nasceu a parceria. Ele nos cedia as fotos voluntariamente e muitas vezes nós passávamos para ele fotos às quais ele não tinha acesso. Os delegados davam o aval. E ele usava o material no jornal. Tudo feito voluntariamente, ele nunca pediu pagamento pelo que fazia para a perícia”, salienta José Batista.

Nascido em 11/12//1969, Carvalho, que morava no bairro Caladinho de Cima com sua mãe viúva, a dona de casa Josefina Branca de Assis, era divorciado de uma cabo da PM. Ele deixa uma filha de 13 anos. Ele era natural de Salto Grande, localidade pertencente ao município de Braúnas, de onde foi trazido por seus pais ainda criança junto com sua única irmã, Walguilene Assis Carvalho para morar em Coronel Fabriciano. O pai Geraldo Carvalho (já falecido) era motorista da extinta Águia Branca dentro da área da Usiminas. 

Aposentado da Acesita por invalidez, há vários anos Walgney Carvalho era conhecido por ser ousado diante dos cenários de crimes violentos, por dormir pouco e acompanhar ´in loco` o registro de acidentes, homicídios e chacinas, 24 horas por dia.

Segundo o vizinho Nilton Alves, aposentado da Univale que estava no velório, Carvalho era muito popular no bairro Caladinho de Cima. “Ele gostava de conversar com as pessoas, era muito comunicativo e popular. Sempre se enturmava. Por isso acho que esse crime não pode ficar impune como o assassinato do Rodrigo Neto”, observa Nilton. 

Reunião com delegados

Durante o velório, o motorista aposentado José Geraldo Brandão Fonseca, 55 anos, morador do Iguaçu, em Ipatinga, relembra que entre 1984 e 1985 ele e Walgney Carvalho formaram uma dupla. José Geraldo como motorista e Carvalho como cobrador , fazendo a  linha Coronel Fabriciano-Braúnas. “Ele era muito trabalhador e esforçado, apesar da pouca idade. Na época me lembro que ele almoçava lá em casa e eu jantava na casa dele, pois eu morava em Braúnas e ele no Caladinho de Cima”, recorda.  “Há 15 anos – ele acrescenta - sofri um acidente e ele é que foi fotografar. Depois ele deixou esse trabalho para se empregar na Acesita”, recorda. 

A prefeita de Coronel Fabriciano, Rosângela Mendes (PT), também esteve no velório e comunicou à imprensa que nesta terça-feira (16), às 10h, ela terá uma reunião com os delegados para discutir a possibilidade de virem à região o secretário de Estado de Defesa Social, Rômulo de Carvalho Ferraz e também a Ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, pedindo providências sobre este caso e também para o assassinato de Rodrigo Neto:  “Nada foi feito, nada foi falado e isso cria uma angústia. Será que vai ter mais um?”, questiona a prefeita, que prossegue: “Cadê o nosso direito de falar, a liberdade da imprensa de trabalhar? Por isso, convoquei hoje (15) todos os delegados para esta reunião, para fazermos alguma coisa para proteger a nossa  imprensa para que possa continuar dizendo a verdade”, afirma Rosângela. 


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