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19/05/16 - 11h40 - Abraji
Polícia de SP agride repórteres e destrói equipamento em protesto


Ao menos dois fotógrafos e um repórter cinematográfico foram atacados por policiais militares durante um protesto no centro de São Paulo na noite dessa quarta-feira (18.mai.2016).

Gabriela Biló, do Estadão, tentou fotografar o momento em que, cercado por um cordão de PMs, um estudante era preso na esquina da av. Ipiranga com a r. da Consolação. Ao próprio jornal, Biló explicou: "Corri para fotografar e, quando me aproximei o cordão se dispersou para afastar os manifestantes. A polícia bateu em todo mundo que estava em volta. Fiquei encurralada em uma esquina. Foi quando um policial gritou `vaza, vaza`, e tentou agarrar minha câmera. Continuei fotografando e ele disse `conheço você` e espirrou o spray diretamente no meu rosto".

O repórter cinematográfico da TV Globo Marcelo Campos foi agredido por um golpe de cassetete quando filmava a ação dos policiais, que batiam em estudantes que fugiam correndo. O PM agressor grita: "vai andando, vai andando". 

André Lucas Almeida, que fotografa para a agência Futura Press, também foi agredido e falou ao Estado: "Os policiais começaram a agredir todo mundo a esmo, incluindo a imprensa. Jogaram spray de pimenta no meu rosto e eu corri. O mesmo PM que lançou o spray correu atrás de mim e bateu com o cassetete na mochila, trincando a tela do meu notebook. Muitos estudantes foram espancados".

Almeida cobrou explicação de um oficial que comandava a ação, e ouviu que "estava no lugar errado na hora errada".

Desde junho de 2013, houve ao menos outros 93 ataques da PM paulista contra jornalistas durante protestos. São golpes de cassetete, jatos de spray de pimenta, ferimentos provocados por estilhaço de bomba, intoxicação por gás lacrimogêneo, detenções irregulares e até mesmo atropelamento intencional.

A Abraji não acredita que todos os os jornalistas estivessem no lugar errado e na hora errada, mas sim em ação deliberada da polícia contra quem acompanha sua ação nas ruas e pode, eventualmente, registrar abusos.

A Abraji repudia as agressões dessa quarta-feira e considera-as um ataque à liberdade de expressão.

Diretoria da Abraji, 19.mai.2016


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